Pessoas
dominadoras, em uma relação, gostam da submissão e do poder que exercem sobre o
outro. Mais do que isso, o dominador tem prazer em ver o outro obedecendo. O
dominador, em muitos casos, cuida bem do outro, tornando-se um bom cuidador
(aquele que cuida na dor). Isso acaba sendo uma dificuldade a mais no
desenvolvimento das habilidades e do potencial da mulher. Faz parte do perfil
do dominador levar a mulher a crer que tudo o que ela precisa é de um “cuidador”,
afinal, o “cuidador” não lhe deixa faltar nada. Ele providencia todas as suas necessidades,
inclusive ensinando o que a mulher precisa saber. E assim o opressor da mulher
se torna seu cuidador, seu professor, seu pai, seu marido, tudo em um homem só. Mulher é intuitiva e aprende com a experiência, cada momento da vida a mulher intui o caminho. Existe uma máxima que diz que a mulher não reza no altar do outro, mulher reza no seu próprio altar. A violência contra a mulher tem sido tratada como se fosse somente uma
violência física que deu origem a lei Maria da Penha, embora a lei Maria da Penha
contemple também a violência psicológica. Uma das causas da violência física
está na necessidade de dominação do homem, e quando a mulher não se deixa
dominar, o dominador parte para ameaças e força bruta, chegando, em muitos
casos, a matá-la. Preferindo ver a mulher morta do que fora do seu domínio.
Aniquilar com o psicológico da mulher é uma das formas de fazê-la crer na sua
incapacidade em gerenciar sua vida a partir de suas habilidades, e fazê-la crer
na inexistência da potência feminina. Como se potência somente existisse no
homem. Com isso, a “potente criatura” se acha no direito de praticar crimes
contra a mulher, crimes de tortura, crimes contra a liberdade do indivíduo.
Usando sua potência para o crime, e não para andar lado à lado da potência da
mulher. Esquecendo-se de que a paz mundial começa dentro de casa.
sábado, 16 de fevereiro de 2019
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019
GESTÃO DO TEMPO
Eliani Gracez - psicanalista
Já pararam
para pensar quanta coisa aparece durante o dia para tirar nossa concentração.
Quantas vezes durante o dia nos envolvemos com coisas que não acrescentam em
nada à vida. Os dias de hoje pedem por rapidez, mas não se enganem, pessoas
assoberbada de trabalho não significa que elas estejam sendo produtivas ou que
estejam rendendo mais. Pelo contrário, isso é causador de estresse e
consequente fadiga no trabalho, levando a um menor desempenho. Pessoas que não
sabem organizar seu tempo tendem a considerar tudo importante e acreditam que
somente elas podem fazer com perfeição as tarefas, só porque o outro não faz do
seu jeito. Na gestão do tempo é preciso saber aquilo que realmente é importante
e faz a diferença em nossa produtividade, seja profissional ou pessoal, e o que
pode ser delegado para outras pessoas fazer. Saber estabelecer prioridades é
fundamental. O tempo deve ser direcionado para ações assertivas. Ter muitas
urgências na vida significa que muita coisa foi deixada para a última hora e
tarefas não foram gerenciadas com sabedoria, gerando impaciência,
agressividade, tensão. Todo esse estresse está na causa da insônia, dores
musculares etc.
terça-feira, 12 de fevereiro de 2019
QUEREMOS QUE O OUTRO FAÇA DO NOSSO JEITO
Eliani Gracez - psicanalista
Queremos
que o outro faça do nosso jeito e por isso o relacionamento entra em um processo
destrutivo. Somos pessoas diferentes e a diferença sempre existirá. Ao querer
que outro faça tudo do nosso jeito impedimos o crescimento do outro. Impedimos,
por exemplo, que o outro aprenda a tomar decisões e a desenvolver atitude. Impedimos que o outro adquira autonomia,
fazemos do outro um escravo da nossa vontade, e ainda dizemos que o outro faz
tudo errado. Afinal, segundo Sartre, o outro é sempre o errado. O outro não faz
tudo errado, o outro apenas faz diferente, por isso é preciso aceitar as
diferenças seja em um relacionamento ou no local de trabalho, pois elas sempre
existirão, e com a convivência as diferenças se tornam mais evidentes. Mas é preciso ter maturidade para lidar com essas questões para que não nos tornemos crianças birrentas.
O MEDO DO PODER
Eliani Gracez - Psicanalista
Tememos o poder e por isso nos sabotamos.
Estamos tão acostumados a uma vida medíocre que não sabemos viver de outra
forma e não sabemos o que fazer com o poder que cada pessoa tem e por isso nos
sabotamos e desenvolvemos resistência ao nosso crescimento. Confundimos
humildade com ausência de poder. Nietzsche já alertava que a moral do fraco é a
moral vencedora nesse planeta. Como existe uma moral enraizada em nós que diz
que temos que ser humildes, consideramos nossa potência um erro. Poder é
potência, mas onde está o nosso potencial? Na potência reside nossa sabedoria. O
fenômeno da resistência tem sido observado desde os primórdios da psicanálise e
continua sendo considerado a pedra angular na prática analítica. Motivo pelo
qual, a resistência ainda continua sendo estudada em seus mais variados
prismas. A concepção de resistência surgiu quando Freud começou a trabalhar com
as lembranças “esquecidas” de suas pacientes histéricas, até então a resistência
era vista como um obstáculo à análise. Em A
Interpretação dos sonhos, os conceitos de resistência e censura estão relacionados,
e tudo o que interrompe o progresso da análise é resistência. Aos poucos Freud
entendeu que a resistência não estava somente naquilo que estava sendo
reprimido em sonhos, mas também nos impulsos de origem sexual. E assim o
conceito de resistência, aos poucos, foi ampliado para resistências em Inibição
e em angústia. A resistência pode ser consciente ou inconsciente, segundo
Zimerman, Manual de técnica psicanalista, página 97, ela sempre provém do ego,
ainda que tenha outras influências da psique. A resistência pode se expressar
pelas emoções, atitudes, ideias, impulsos, fantasias, linguagem, somatizações
ou ações. Nesse sentido todo aspecto da vida mental pode estar relacionado a
resistência. Por este motivo as resistências podem ser complexas e se
apresentar de variadas maneiras tais como: faltas, atrasos, intelectualizações,
exagero de silêncio, sonolência, entre outros. Pode-se também relacionar a
resistência à patologia que lhe deram origem. Teríamos, nesse caso, resistência
do tipo Narcísica, esquizoparanóide, maníaca, fóbicas, obsessivas etc. Também é
útil considerar resistências relacionadas ao desenvolvimento emocional
primitivo, entre estas o narcisismo é, particularmente, importante por se
constituir no cerne da formação da personalidade e da identidade na mais tenra
idade. Mãe e bebê reproduzem uma simbiose original, uma situação psíquica onde
persiste um forte grau de fusão, uma não diferenciação um do outro. Quando o
bebê sai da fase simbiótica, ele inicia a fase de separação e diferenciação do
eu com relação ao outro. Uma diferenciação entre o bebê e sua mãe. Desta forma
se dá o nascimento psicológico da criança. Enquanto a criança permanecer nesse
estado simbiótico com sua mãe ele não diferenciará o eu do não eu. Neste caso a
criança desenvolve uma crença ilusória e onipotente de que possui independência
absoluta. Na fase simbiótica o bebê acredita que os atos de sua mãe são os seus
atos, e que cada obra de sua mãe é fruto do seu desejo. E assim se forma no
bebê a ilusão de que todos estão ali para ele e somente para ele. Uma ilusão se
forma onde o bebê é a majestade e os outros seus súditos. Essa onipotência, em
muitos casos, permanece até a fase adulta, onde as pessoas que rodeiam a pessoa
onipotente estão ali para servi-la. E assim se dá o relacionamento com o mundo
exterior. A não aceitação da diferenciação leva a um estado de resistência em
aceitar a singularidade entre as pessoas, e a um estado de incompletude. Freud
aprofundou com o tempo o estudo sobre as resistências, sobretudo a resistência e
sua associação com o ego. O ego é o responsável pelo contato do psiquismo com o
mundo real exterior ao indivíduo. Ele atua de acordo com o mundo exterior da
pessoa, estabelecendo uma ligação entre as demandas do inconsciente e o superego.
Estão no ego as percepções, sentimentos, memória e os pensamentos. Por outro
lado, o Superego está relacionado as normas e valores imposto pela família,
religião, moral social etc. O superego se forma durante a fase fálica, onde a
criança começa a internalizar os valores e as normas sociais. O superego nos
diz o que é certo e o que é errado, o que é proibido e o que é permitido. E
assim os impulsos do inconsciente começam a ser inibidos. Impulsos são
liberados do inconsciente e a pessoa sente, por exemplo, uma determinada
vontade, mas o superego julgar aquela vontade imoral e por isso reprime.
Formando assim resistências e sabotagens.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019
DECIDA-SE PELO SUCESSO!
O mito da "supermulher", aquela que dá conta de todas as tarefas,
não contribui com o sucesso da mulher, pois gera expectativas e cobranças
muitas vezes além da realidade, exigindo da mulher um perfeccionismo ilusório.
Na luta para atingir as expectativas, a mulher esquece-se de si mesma e de seus
sentimentos. Vivendo, muitas vezes, somente para o outro e não para si. Vivendo
uma vida para atingir as expectativas e metas impostas pela sociedade, e sem
tempo para cuidar de seus interesses pessoais. O coaching para mulheres vem
para ajudar a nova mulher a desenvolver seu potencial para uma vida
equilibrada, saudável e feliz, e com clareza nas metas. Uma mulher focada na
sua potência e que se torna a melhor versão de si mesma.
domingo, 3 de fevereiro de 2019
A COISIFICAÇÃO DA MULHER
Para Martin Heidegger, antes de um objeto ser objeto, antes de uma obra
ser obra, antes de um utensílio ser utensílio, todos são “coisa”. A coisa é a
essência dos objetos e utensílios. A sociedade ainda machista vê a mulher como
coisa, utensílio, objeto que possui uma essência de coisa. Devido a uma
evolução tecnológica e não a uma evolução da consciência, a mulher ainda é
considerada como sendo um objeto, um utensílio, uma coisa. Onde o homem decide
em qual móvel, ou lugar da casa ele vai colocar a tal coisa. A coisa
normalmente é colocada em um lugar que dê satisfação ao homem. Mas Heidegger, em sua obra Ser e Tempo, pergunta pelo sentido do
Ser. A mulher não é um objeto ou um utensílio, mulheres e homens são entes onde
se manifesta o Ser no mundo. A pergunta que não quer calar é qual é o Ser da
mulher para em um próximo passo ter a consciência desse Ser-aí-no-mundo. Para
compreender o Ser, segundo Heidegger, é preciso olhar a existência e não o
espírito. O Ser está no existencialismo, está na vida, está no mundo. E assim,
na existência está o Ser da mulher. A mulher se faz e se refaz, muitos tentaram
coisificá-la, mas como ela não é coisa, o Ser feminino persistiu aí no mundo
como algo em construção. Cada época tentou aniquilar com a mulher, mas todos
falharam porque ela sabe se reinventar, a mulher sabe que ela é um Ser em
construção, um Ser em processo, e por isso aprende e se renova a cada tentativa
de derrubá-la. Não é possível separar o
ente de seu Ser, cada mulher é um ente que carrega seu Ser, e não um objeto que
carrega uma essência, a coisa. Cada homem que maltrata e mata uma mulher, não
mata uma coisa, mata um Ser-no-mundo. Nascemos com uma vagina, mas, sobretudo
trazemos um Ser de feminilidade, gestos delicados e atitudes fortes, um Ser de
vontade. Um Ser que pinta seu rosto sem com isso ser vaidade. A vaidade está em
quem se julga superior a mulher. Quanta vaidade! Nos dias de hoje, onde se fala
tanto em resistência, a mulher é o símbolo da resistência sobre o planeta.
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019
VIOLÊNCIA DOMÉSTICA
Eliani Gracez - Psicanalista
Vários são os tipos de violência, mas o
que tem chamado mais a atenção nos últimos tempos é a violência doméstica, a
violência dentro daquilo que deveria ser o lar. Para entender melhor primeiro
devemos considerar os motivos. Muito se atribui a violência doméstica ao
estresse do dia-a-dia. No entanto é preciso fazer uma análise mais profunda da
causa. O ser humano é um ser dual, o bem e o mal travam uma luta ferrenha
diariamente, uma luta entre a consciência e a inconsciência. Do inconsciente
afloram instintos primários e muitas vezes animalescos, e por isso somos
capazes de tudo, somos capazes do extremo bem e do extremo mal. Sentimos um
impulso e pronto, um bem ou um mal pode estar feito. Da mesma forma algumas
pessoas tem o impulso de comprar tudo o que veem pela frente. Por isso é
preciso trabalhar na causa dos incontroláveis impulsos. A violência doméstica
tem uma causa. Assim como quem se suicida a pergunta que se faz é: o que ou
quem o suicida queria matar? No caso de um homem que bate na mulher a pergunta
é: a quem ele odeia tanto a ponto de bater ou matar? Nesse caso, a mulher
remete o homem a qual violência sofrida no passado? Essa violência do passado
pode ter sido cometida, por exemplo, pela mão, pela vó ou outra mulher
qualquer, e assim ao bater na esposa o homem queria mesmo era bater, na realidade,
na mulher que o traumatizou na infância. Outro exemplo é a violência doméstica
sofrida pelas crianças. Se a mãe ou o pai foram crianças que sofreram violência
doméstica, eles podem reproduzir no filho a mesma violência, pois se eles
puderam suportar a violência, o filho também pode. Outro exemplo é de um homem
que ameaçava constantemente sua mulher e seus filhos de abandono. Em terapia, o
homem revelou ter sido abandonado pelo pai. Com um olhar analítico sobre a situação
foi possível verificar que esse homem e sua mãe sofreram muito com o abandono.
Anos mais tarde, cada vez que a sua mulher e seus filhos não o obedeciam ele
usa da ameaça do abandono para que sua mulher e seus filhos tivessem medo do
sofrimento de ser abandonado pelo pai causaria, e com medo do sofrimento, o
obedecessem. Esquecendo-se de que esse era o seu medo e o seu sofrimento, e não
o medo e o sofrimento de sua mulher e de seus filhos. Portanto, a causa da
violência doméstica está em algum lugar dentro da pessoa e a relação com a família
pela qual foi criado. Pelo efeito se chega a causa. A pergunta é: se a
violência é o efeito, qual é a causa? De um pé de limão não nasce melancias.
Portanto, causa e efeito estão em uma relação direta um para o outro. Eduquem
as crianças e não precisarão colocar os homens na prisão!
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