sábado, 16 de fevereiro de 2019

O PERIGO POR TRÁS DO PERFIL DO HOMEM CORTEJADOR


Eliani Gracez – Psicanalista

Pessoas dominadoras, em uma relação, gostam da submissão e do poder que exercem sobre o outro. Mais do que isso, o dominador tem prazer em ver o outro obedecendo. O dominador, em muitos casos, cuida bem do outro, tornando-se um bom cuidador (aquele que cuida na dor). Isso acaba sendo uma dificuldade a mais no desenvolvimento das habilidades e do potencial da mulher. Faz parte do perfil do dominador levar a mulher a crer que tudo o que ela precisa é de um “cuidador”, afinal, o “cuidador” não lhe deixa faltar nada. Ele providencia todas as suas necessidades, inclusive ensinando o que a mulher precisa saber. E assim o opressor da mulher se torna seu cuidador, seu professor, seu pai, seu marido, tudo em um homem só. Mulher é intuitiva e aprende com a experiência, cada momento da vida a mulher intui o caminho. Existe uma máxima que diz que a mulher não reza no altar do outro, mulher reza no seu próprio altar. A violência contra a mulher tem sido tratada como se fosse somente uma violência física que deu origem a lei Maria da Penha, embora a lei Maria da Penha contemple também a violência psicológica. Uma das causas da violência física está na necessidade de dominação do homem, e quando a mulher não se deixa dominar, o dominador parte para ameaças e força bruta, chegando, em muitos casos, a matá-la. Preferindo ver a mulher morta do que fora do seu domínio. Aniquilar com o psicológico da mulher é uma das formas de fazê-la crer na sua incapacidade em gerenciar sua vida a partir de suas habilidades, e fazê-la crer na inexistência da potência feminina. Como se potência somente existisse no homem. Com isso, a “potente criatura” se acha no direito de praticar crimes contra a mulher, crimes de tortura, crimes contra a liberdade do indivíduo. Usando sua potência para o crime, e não para andar lado à lado da potência da mulher. Esquecendo-se de que a paz mundial começa dentro de casa.



quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

GESTÃO DO TEMPO



Eliani Gracez - psicanalista

Já pararam para pensar quanta coisa aparece durante o dia para tirar nossa concentração. Quantas vezes durante o dia nos envolvemos com coisas que não acrescentam em nada à vida. Os dias de hoje pedem por rapidez, mas não se enganem, pessoas assoberbada de trabalho não significa que elas estejam sendo produtivas ou que estejam rendendo mais. Pelo contrário, isso é causador de estresse e consequente fadiga no trabalho, levando a um menor desempenho. Pessoas que não sabem organizar seu tempo tendem a considerar tudo importante e acreditam que somente elas podem fazer com perfeição as tarefas, só porque o outro não faz do seu jeito. Na gestão do tempo é preciso saber aquilo que realmente é importante e faz a diferença em nossa produtividade, seja profissional ou pessoal, e o que pode ser delegado para outras pessoas fazer. Saber estabelecer prioridades é fundamental. O tempo deve ser direcionado para ações assertivas. Ter muitas urgências na vida significa que muita coisa foi deixada para a última hora e tarefas não foram gerenciadas com sabedoria, gerando impaciência, agressividade, tensão. Todo esse estresse está na causa da insônia, dores musculares etc.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

QUEREMOS QUE O OUTRO FAÇA DO NOSSO JEITO

Eliani Gracez - psicanalista


Queremos que o outro faça do nosso jeito e por isso o relacionamento entra em um processo destrutivo. Somos pessoas diferentes e a diferença sempre existirá. Ao querer que outro faça tudo do nosso jeito impedimos o crescimento do outro. Impedimos, por exemplo, que o outro aprenda a tomar decisões e a desenvolver atitude.  Impedimos que o outro adquira autonomia, fazemos do outro um escravo da nossa vontade, e ainda dizemos que o outro faz tudo errado. Afinal, segundo Sartre, o outro é sempre o errado. O outro não faz tudo errado, o outro apenas faz diferente, por isso é preciso aceitar as diferenças seja em um relacionamento ou no local de trabalho, pois elas sempre existirão, e com a convivência as diferenças se tornam mais evidentes. Mas é preciso ter maturidade para lidar com essas questões para que não nos tornemos crianças birrentas. 

O MEDO DO PODER


Eliani Gracez - Psicanalista

Tememos o poder e por isso nos sabotamos. Estamos tão acostumados a uma vida medíocre que não sabemos viver de outra forma e não sabemos o que fazer com o poder que cada pessoa tem e por isso nos sabotamos e desenvolvemos resistência ao nosso crescimento. Confundimos humildade com ausência de poder. Nietzsche já alertava que a moral do fraco é a moral vencedora nesse planeta. Como existe uma moral enraizada em nós que diz que temos que ser humildes, consideramos nossa potência um erro. Poder é potência, mas onde está o nosso potencial? Na potência reside nossa sabedoria. O fenômeno da resistência tem sido observado desde os primórdios da psicanálise e continua sendo considerado a pedra angular na prática analítica. Motivo pelo qual, a resistência ainda continua sendo estudada em seus mais variados prismas. A concepção de resistência surgiu quando Freud começou a trabalhar com as lembranças “esquecidas” de suas pacientes histéricas, até então a resistência era vista como um obstáculo à análise. Em A Interpretação dos sonhos, os conceitos de resistência e censura estão relacionados, e tudo o que interrompe o progresso da análise é resistência. Aos poucos Freud entendeu que a resistência não estava somente naquilo que estava sendo reprimido em sonhos, mas também nos impulsos de origem sexual. E assim o conceito de resistência, aos poucos, foi ampliado para resistências em Inibição e em angústia. A resistência pode ser consciente ou inconsciente, segundo Zimerman, Manual de técnica psicanalista, página 97, ela sempre provém do ego, ainda que tenha outras influências da psique. A resistência pode se expressar pelas emoções, atitudes, ideias, impulsos, fantasias, linguagem, somatizações ou ações. Nesse sentido todo aspecto da vida mental pode estar relacionado a resistência. Por este motivo as resistências podem ser complexas e se apresentar de variadas maneiras tais como: faltas, atrasos, intelectualizações, exagero de silêncio, sonolência, entre outros. Pode-se também relacionar a resistência à patologia que lhe deram origem. Teríamos, nesse caso, resistência do tipo Narcísica, esquizoparanóide, maníaca, fóbicas, obsessivas etc. Também é útil considerar resistências relacionadas ao desenvolvimento emocional primitivo, entre estas o narcisismo é, particularmente, importante por se constituir no cerne da formação da personalidade e da identidade na mais tenra idade. Mãe e bebê reproduzem uma simbiose original, uma situação psíquica onde persiste um forte grau de fusão, uma não diferenciação um do outro. Quando o bebê sai da fase simbiótica, ele inicia a fase de separação e diferenciação do eu com relação ao outro. Uma diferenciação entre o bebê e sua mãe. Desta forma se dá o nascimento psicológico da criança. Enquanto a criança permanecer nesse estado simbiótico com sua mãe ele não diferenciará o eu do não eu. Neste caso a criança desenvolve uma crença ilusória e onipotente de que possui independência absoluta. Na fase simbiótica o bebê acredita que os atos de sua mãe são os seus atos, e que cada obra de sua mãe é fruto do seu desejo. E assim se forma no bebê a ilusão de que todos estão ali para ele e somente para ele. Uma ilusão se forma onde o bebê é a majestade e os outros seus súditos. Essa onipotência, em muitos casos, permanece até a fase adulta, onde as pessoas que rodeiam a pessoa onipotente estão ali para servi-la. E assim se dá o relacionamento com o mundo exterior. A não aceitação da diferenciação leva a um estado de resistência em aceitar a singularidade entre as pessoas, e a um estado de incompletude. Freud aprofundou com o tempo o estudo sobre as resistências, sobretudo a resistência e sua associação com o ego. O ego é o responsável pelo contato do psiquismo com o mundo real exterior ao indivíduo. Ele atua de acordo com o mundo exterior da pessoa, estabelecendo uma ligação entre as demandas do inconsciente e o superego. Estão no ego as percepções, sentimentos, memória e os pensamentos. Por outro lado, o Superego está relacionado as normas e valores imposto pela família, religião, moral social etc. O superego se forma durante a fase fálica, onde a criança começa a internalizar os valores e as normas sociais. O superego nos diz o que é certo e o que é errado, o que é proibido e o que é permitido. E assim os impulsos do inconsciente começam a ser inibidos. Impulsos são liberados do inconsciente e a pessoa sente, por exemplo, uma determinada vontade, mas o superego julgar aquela vontade imoral e por isso reprime. Formando assim resistências e sabotagens.






segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

DECIDA-SE PELO SUCESSO!

Eliani Gracez - Coach e psicanalista

O mito da "supermulher", aquela que dá conta de todas as tarefas, não contribui com o sucesso da mulher, pois gera expectativas e cobranças muitas vezes além da realidade, exigindo da mulher um perfeccionismo ilusório. Na luta para atingir as expectativas, a mulher esquece-se de si mesma e de seus sentimentos. Vivendo, muitas vezes, somente para o outro e não para si. Vivendo uma vida para atingir as expectativas e metas impostas pela sociedade, e sem tempo para cuidar de seus interesses pessoais. O coaching para mulheres vem para ajudar a nova mulher a desenvolver seu potencial para uma vida equilibrada, saudável e feliz, e com clareza nas metas. Uma mulher focada na sua potência e que se torna a melhor versão de si mesma.


domingo, 3 de fevereiro de 2019

A COISIFICAÇÃO DA MULHER

Eliani Gracez - Psicanalista

Para Martin Heidegger, antes de um objeto ser objeto, antes de uma obra ser obra, antes de um utensílio ser utensílio, todos são “coisa”. A coisa é a essência dos objetos e utensílios. A sociedade ainda machista vê a mulher como coisa, utensílio, objeto que possui uma essência de coisa. Devido a uma evolução tecnológica e não a uma evolução da consciência, a mulher ainda é considerada como sendo um objeto, um utensílio, uma coisa. Onde o homem decide em qual móvel, ou lugar da casa ele vai colocar a tal coisa. A coisa normalmente é colocada em um lugar que dê satisfação ao homem.  Mas Heidegger, em sua obra Ser e Tempo, pergunta pelo sentido do Ser. A mulher não é um objeto ou um utensílio, mulheres e homens são entes onde se manifesta o Ser no mundo. A pergunta que não quer calar é qual é o Ser da mulher para em um próximo passo ter a consciência desse Ser-aí-no-mundo. Para compreender o Ser, segundo Heidegger, é preciso olhar a existência e não o espírito. O Ser está no existencialismo, está na vida, está no mundo. E assim, na existência está o Ser da mulher. A mulher se faz e se refaz, muitos tentaram coisificá-la, mas como ela não é coisa, o Ser feminino persistiu aí no mundo como algo em construção. Cada época tentou aniquilar com a mulher, mas todos falharam porque ela sabe se reinventar, a mulher sabe que ela é um Ser em construção, um Ser em processo, e por isso aprende e se renova a cada tentativa de derrubá-la.  Não é possível separar o ente de seu Ser, cada mulher é um ente que carrega seu Ser, e não um objeto que carrega uma essência, a coisa. Cada homem que maltrata e mata uma mulher, não mata uma coisa, mata um Ser-no-mundo. Nascemos com uma vagina, mas, sobretudo trazemos um Ser de feminilidade, gestos delicados e atitudes fortes, um Ser de vontade. Um Ser que pinta seu rosto sem com isso ser vaidade. A vaidade está em quem se julga superior a mulher. Quanta vaidade! Nos dias de hoje, onde se fala tanto em resistência, a mulher é o símbolo da resistência sobre o planeta.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

Eliani Gracez - Psicanalista


Vários são os tipos de violência, mas o que tem chamado mais a atenção nos últimos tempos é a violência doméstica, a violência dentro daquilo que deveria ser o lar. Para entender melhor primeiro devemos considerar os motivos. Muito se atribui a violência doméstica ao estresse do dia-a-dia. No entanto é preciso fazer uma análise mais profunda da causa. O ser humano é um ser dual, o bem e o mal travam uma luta ferrenha diariamente, uma luta entre a consciência e a inconsciência. Do inconsciente afloram instintos primários e muitas vezes animalescos, e por isso somos capazes de tudo, somos capazes do extremo bem e do extremo mal. Sentimos um impulso e pronto, um bem ou um mal pode estar feito. Da mesma forma algumas pessoas tem o impulso de comprar tudo o que veem pela frente. Por isso é preciso trabalhar na causa dos incontroláveis impulsos. A violência doméstica tem uma causa. Assim como quem se suicida a pergunta que se faz é: o que ou quem o suicida queria matar? No caso de um homem que bate na mulher a pergunta é: a quem ele odeia tanto a ponto de bater ou matar? Nesse caso, a mulher remete o homem a qual violência sofrida no passado? Essa violência do passado pode ter sido cometida, por exemplo, pela mão, pela vó ou outra mulher qualquer, e assim ao bater na esposa o homem queria mesmo era bater, na realidade, na mulher que o traumatizou na infância. Outro exemplo é a violência doméstica sofrida pelas crianças. Se a mãe ou o pai foram crianças que sofreram violência doméstica, eles podem reproduzir no filho a mesma violência, pois se eles puderam suportar a violência, o filho também pode. Outro exemplo é de um homem que ameaçava constantemente sua mulher e seus filhos de abandono. Em terapia, o homem revelou ter sido abandonado pelo pai. Com um olhar analítico sobre a situação foi possível verificar que esse homem e sua mãe sofreram muito com o abandono. Anos mais tarde, cada vez que a sua mulher e seus filhos não o obedeciam ele usa da ameaça do abandono para que sua mulher e seus filhos tivessem medo do sofrimento de ser abandonado pelo pai causaria, e com medo do sofrimento, o obedecessem. Esquecendo-se de que esse era o seu medo e o seu sofrimento, e não o medo e o sofrimento de sua mulher e de seus filhos. Portanto, a causa da violência doméstica está em algum lugar dentro da pessoa e a relação com a família pela qual foi criado. Pelo efeito se chega a causa. A pergunta é: se a violência é o efeito, qual é a causa? De um pé de limão não nasce melancias. Portanto, causa e efeito estão em uma relação direta um para o outro. Eduquem as crianças e não precisarão colocar os homens na prisão!


Uma mente que brilha

Eliani Gracez   Em virtude da negatividade do cérebro, é preciso um empenho ativo para interiorizar as experiências positivas e cicatrizar ...